Você decide

Ora bem, a Feira do Livro acaba no próximo Domingo e eu resolvi pegar numa pequena história, que aconteceu comigo, para vos dar duas hipóteses de desfecho (ou talvez não, na realidade), dois pontos de vista traduzíveis em duas leituras – literalmente, dois livros a ler!
Aproveitem os descontos que a Feira tem para vos dar, sendo que o primeiro livrinho devia ser facultado gratuitamente a todas as raparigas a partir do momento em que se tornam “emocionalmente activas”!
Vejamos, então.

Tenho 37 anos, duas crianças de dois casamentos (ou um casamento e uma união de facto), experiências várias de namoro, coabitação, relações difíceis, relações fáceis… enfim…
Depois de um relacionamento em particular (cujos contornos um dia poderei partilhar convosco porque julgo que poderá ter interesse), do qual não resultaram filhos, decidi nunca mais me permitir envolver em relações com determinadas características (ou pessoas com determinadas características).
Um relacionamento conflituoso, desgastante, com um egoísta, mentiroso compulsivo, traidor, desleal, tirano e manipulador foi possível na minha vida – aconteceu – durante cerca de 4 anos! Até que me salvei e deixou de estar nos meus planos.
Foi com sofrimento e ajuda que consegui ultrapassar um dos piores momentos da minha vida e voltar a endireitar a coluna vertebral, esticar o pescoço e questionar-me sobre “que raio estava eu a fazer da minha vida”. Foi nessa altura que dei um abanão na minha auto-estima, fiz-lhe uma reanimação com massagem cardíaca e respiração boca-a-boca.
E foi por essa altura que tive o meu primeiro contacto com o primeiro livrinho que vos coloco no caminho nesta dicotomia.
Houve um momento em que uma amiga minha me pegou pelo braço e disse “está na altura de leres uma coisa” e me levou à FNAC do C. C. Colombo onde, na zona de leitura, me deixou a ler e a chorar desconsolada. E foi das melhores coisinhas que me podia ter feito.
Esta história, supra, não é a que tinha decidido contar-vos agora. Esta história, supra, fica para outra altura.

Dizia eu que tenho 37 anos a alguma experiência de vida e que de há uns tempos para cá não me disponho a passar por determinadas experiências que coloquem em causa o meu bem estar, a minha integridade, física e emocional, e ponto final. Porque aprendi a lição e há sinais (de fumo) que reconheço e aos quais aprendi a dizer não.
Depois de alguns anos de desencanto amoroso, descrédito no que a capacidades masculinas diz respeito, deixei-me encantar subitamente por alguém que lia há algum tempo (um ano e picos, dois?) e acerca de quem tinha alguma curiosidade (não que perdesse muito tempo a pensar nisso, de facto…). Mas eis que houve um contacto (virtual), e depois outro(s), que não deixaram de me surpreender!
Não quero entrar em detalhes (guardo-os para mim enquanto única e boa recordação).
A coisa deu-se, concretizou-se, e de forma muito rápida, quase atordoante.
Conhecemo-nos pessoalmente, apaixonámo-nos (poderei dizê-lo com certeza?) e galopámos em direcção “a uma coisa qualquer” que eu chamaria de relacionamento. Tudo em dias e com um relacionamento anterior (dele) por resolver – que se resolveu.
As premissas, melhor dizendo, os pressupostos eram os de se  manter uma relação que não interferisse demasiado nos esquemas de vida instaurados por cada um dos dois (eu apregoava que não queria misturar as minhas crianças com novos namoros e, como tal, pouca mais disponibilidade teria que a de um fim-de-semana de 15 em 15 dias; ele tinha a sua vidinha de homem solteiro, dedicado às suas coisinhas).
Dizia eu que a coisa foi galopante e eu, obviamente entusiasmada com este novo parceiro que me pareceu tão interessante, intelectualmente estimulante, fisicamente atraente e – além disto tudo! – tão doce e aparentemente apaixonado, fui deixando cair algumas protecções com alguma rapidez (porque rápido era ele, quase infantil, e isso era desarmante e encantador). No primeiro encontro não pude deixar de sorrir a algumas propostas, perguntas e interjeições, sem no entanto responder “sim ou não”, para não me comprometer… :)
Fui-me moldando ao ritmo (rápido) dos acontecimentos e tentando encaixar na minha vida uma nova possibilidade. Foi uma revolução sem grande consequências para terceiros mas a mim serviu para abanar os pilares em que tinha baseado a minha vida recente.
Eis senão quando, também subitamente, tudo mudou.
O encanto que lhe notava deixou de me parecer evidente, o entusiasmo gritante, que me deixava boquiaberta, deixei de o reconhecer e efectivamente as iniciativas dele para me contactar ou estar comigo reduziram substancialmente. Arrisco-me a dizer que só não desapareceu sem deixar rasto porque isso implicaria recomeçar uma nova vida num qualquer outro local numa espécie de “plano de protecção de testemunhas” e não deixou de me falar de um momento  para o outro porque eu fui mantendo contacto…
Embora tudo tenha acontecido muito rapidamente (a coisa durou cerca de um mês, no total) e o fim da relação tenha acontecido prematuramente (ainda bem que não foi a pior/mais, ainda bem!…), não deixou de ser desconcertante. Porque eu nunca percebi o que aconteceu! E porque estava encantada.

Posto isto, perante o rumo dos acontecimentos, que opção tomar (lado a lado com a total incompreensão do sucedido)? Permancer em círculos a tentar perceber o “porquê”? Ou recorrer a sábios ensinamentos de amigos, homens de preferência, para que me esbofeteassem com aquela que, segundo as probabilidades, seria a verdade nua e crua?

É nesta última opção que entra esta minha primeira proposta de leitura.

Numa situação como esta que vos contei ou em muitas outras, este é um livro que se deve ter sempre à mão.
Aquelas coisas que nós até sabemos, reconhecemos nos outros quando analisamos relacionamentos à distância, enquanto terceiros; a verdade evidente nos comportamentos dos outros e que é, simplesmente (fora casos patológicos, de preferência diagnosticados por médicos), a verdade universal! Igual em nós também!
O saber mais básico, o b-a-ba das relações com os outros, da nossa própria relação/reacção com o mundo exterior. O par Acção (aplicação de Forças)/Reacção da Física. A lei da Oferta e da Procura, dos mercados. A Biologia. Tudo. Tudo, em princípio (e não queiramos ter a presunção de ser a excepção à regra, coisa que tendencialmente fazemos, também, sem excepção, quando estas coisas nos acontecem e quando nos apaixonamos), se move de acordo com leis mais ou menos universais.
Resumidamente, “Ele não está assim tão interessado” em si (e pegando no índice remissivo do livro, apenas):

” se não a convidar para sair,

se não lhe telefonar,

se não namorar consigo,

se não quiser ir para a cama consigo,

se for para a cama com outra pessoa,

se só quiser estar consigo quando está bêbedo,

se não quiser casar consigo,

se desaparecer,

se for casado ( e outras variantes disparatadas de estar indisponível),

se for um parvalhão egoísta, um mandão ou um anormal de todo o tamanho”

Há alturas da vida em que temos dificuldade em enxergar coisas tão simples como estas, por estarmos envolvidas, por julgarmos os outros como gostaríamos que eles fossem e não como eles são realmente, por termos idealizado finais felizes para histórias que não são encantadas, são reais… enfim, um sem número de variáveis que nos fazem desfocar o ser amado e pretendido. Perdemo-nos em nebulosas teorias que construimos para justificar os acontecimentos e os factos. Nestas alturas é bom ter amigos homens (de preferência desinteressados em qualquer outra coisa para além da amizade) que tenham a gentileza de colocar a verdade à frente dos nossos olhos, explicando como é que as coisas se fazem (quando são eles a fazer e, se pensarem bem, quando somos nós próprias a fazer a outros que não são do nosso real interesse!).
Caso não contem com amigos desses, ou mesmo que contem – como reforço -, nada como contar com o Greg Behrendt (neste livro auxiliado pela Liz Tuccillo).

Em breve voltarei para vos dar uma outra opção de leitura a que eu não resisti depois desta minha história. Mas é menos universal e, embora padronize este tipo de comportamento, leva-nos afinal de volta à necessidade de uma resposta prática e rápida, como esta a que o “Ele Não Está Assim Tão Interessado” nos induz, na sua linguagem prática, directa e inequívoca, “quase Powerpoint”.

;) Aproveitem um bom conselho!

PS – O livro deu origem a um filme mas, acreditem, não percam tempo!.. Se é para vos servir de alguma coisa, leiam o livro (que se lê muito rapidamente) e esqueçam o filme (que não vos ensina nada, não obstante a deliciosa cena de abertura onde se percebe que nos incutiram noções absolutamente erradas e prejudiciais ao nosso bem-estar desde a nossa mais tenra infância!).

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Comments
6 Responses to “Você decide”
  1. Sandra diz:

    Vi o filme há uns tempos e gostei, a cena inicial é muito boa e tão verdade…. Boa sugestão! :))

  2. Isso faz parte do filme DUETS (2000) realizado pelo pai da Gwyneth, Bruce Paltrow, que se tivesse sido feito hoje teria uma recepção totalmente diferente. Vale a pena recuperar.

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  1. […] (enquanto preparamos o próximo post, que envolve sugestão literária e vem na continuação  do post anterior) […]

  2. […] De volta para a segunda parte do Você Decide. […]

  3. […] de seguida, um livro de que já aqui falámos e que é um must-have de cada casa onde haja uma mulher “disponível para amar”. […]



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