Musa Híbrida


No fim-de-semana passado tirámos, em parte e entre outras coisas, a barriga de misérias e conseguimos ver 3 filmes em cartaz!

Começámos com O Artista, filme sensação da temporada e dos prémios de cinema que, embora bonito, não me pareceu ter muito a acrescentar ao fenómeno que se gerou enquanto mero exercício de estilo. Destaque para o actor Jean Dujardin, o malfadado Ludo de Pequenas Mentiras Entre Amigos de que já aqui falámos, claro. (Bem me parecia já ter visto aquela cara nalgum lado…)

Mas a surpresa maior viria depois e mais uma vez de um filme “muito mal empacotado”! O cartaz de Young Adult não deixa de ter um lado delico-doce de comédia juvenil e, embora advertindo para o facto de que “everyone gets old” mas “not everyone grows up” não nos dá a mínima noção do que lá vem!..
Eu tenho esta obsessão com a comunicação dirigida a um público ou mercado-alvo, especialmente no que diz respeito a eventos/produtos culturais e faz-me um bocadinho de impressão que se venda gato por lebre… (Este e este cartaz levam mais gente ao cinema, mas também levam alguns ao engano!)

Mas adiante!.. Charlize Theron tem um papelaço neste filme escrito por Diablo Cody (lembram-se de Juno?), interpretando uma Mavis Gary que consegue ser, simultaneamente a protagonista e antagonista desta história de uma mulher de 37 anos que regressa à terra de origem, muitos anos depois de ter acabado o liceu onde era a miúda mais bonita (e com o cabelo mais bonito, entre outros títulos – não vou fazer um spoiler!…) e, na cabeça de muitos, a mais bem sucedida. Mavis volta, porém, na intenção de resgatar um ex-namorado de um casamento com um bebé recente, que ela julga tão infeliz como ela própria e considera a sua alma gémea. Não podia estar mais enganada.
O filme passa um desconforto e uma inquietação desconcertantes, enquanto assistimos a uma mulher aparentemente fantástica e atraente que se ilude e destrói sucessivamente, todas as noites, e se volta a reconstruir aparentemente para mais uma e outra investida na conquista do homem idealizado. Há essa coisa da presa e do predador mas a maior fragilidade é a dela, afinal.
As personagens estão bem construídas, coisa que me dá sempre prazer a assistir. Patton Walton é muito bom e cria momentos de tensão e tenção na trama sendo, simultaneamente, um opositor a Mavis na sua estratégia e um ombro amigo (também ele desejoso de carinho e redenção). É talvez o único com consciência do todo.
Elizabeth Reaser é discreta mas firme, como a nova mulher de Slade e o casamento dos dois. E Colette Wolfe acrescenta desconforto ao filme de modo breve mas eficaz.

Fora isso está lá a nossa geração, versão americana (de uma parte da América, claro está). As músicas, as recordações. E as nossas vivências quotidianas (a net, os computadores).
E uma Mavis que todos conhecemos, se não fomos.

A ver, a ver, mas loooonge de ser uma comédia! Drama, drama e com contornos trágicos.

Acabámos ainda a noite com Our Idiot Brother e um elenco de luxo (para quem já os topou na rede de filmes que habitualmente habitam).
Pontos em comum? Eventualmente um Ned (Paul Rudd) que mantém uma ingenuidade diferente dos adultos que o rodeiam (nomeadamente as três irmãs) e nos pode remeter para esse universo da eterna adolescência (Young Adult).
Pessoalmente acho que a Mavis (do filme anterior) teve, pelo contrário, uma incursão prematura no universo dos adultos (perverso), embora não tenha tido um crescimento emocional semelhante aos seus pares.

Our Idiot Brother é um filme simpático que toca vários temas e várias realidades, ainda que de forma muito ligeira (ou tudo aquilo daria vários filmes). Vê-se bem e é agradável. É um filme “querido”, bom para reconfortar depois de Young Adult, por exemplo.

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Comments
4 Responses to “Musa Híbrida”
  1. anageorge diz:

    Achei o filme uns furos abaixo do Juno ou do Up in the Air do mesmo realizador, mas a Charlize está muito bem como actriz, e lindíssima como sempre

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  1. […] assim de repente, este também!… Ah, e este (cena da cozinha, de manhã)! Mas agora que estou desperta para a questão passarei a lembrar-me de […]



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