Viva o velho

 

 

Epá, ganda filmaço! :)

Este Bond é uma delícia! Impossível resistir.

Desde pequena que gosto dos filmes do 007, uns mais que outros, apesar de se lhes poder apontar uma série de, vá lá, falhas de carácter
 

Mas, enfim, nem tudo é perfeito, o que não falta aí são coisas para não gostar e o Bond, James Bond, principalmente na pele do Sean Connery, era efectivamente sedutor (porque o Connery tinha, mais do que a beleza a malícia que personificava tão bem o agente…).

Depois vieram uns Bond Pastel que se via para encher chouriços e eis que, já quase em descrédito, vi o primeiro 007 com o Daniel Craig!
Fiquei absolutamente rendida, logo na altura, até pela trama em que se desmistifica o durão, a incapacidade de amar, etc. Falhei o Quantum of Solace (já me disseram que ainda bem) e ontem lá fui abalroada por este Skyfall!

Ca ganda filmaço!! (Já sei que já disse isto.)
É que tem tudo para se gostar…

A saber:
Um grande vilão, Bardem, Bardem, tão grande! Feio, horroroso (péssimo de louro! ;) e tão bom na sua personagem! A lembrar o Joker do Heath Ledger, não porque se colasse, mas pela maneira como lhe veste a pele.
(Será que chega aos Oscars?)
 

Mais (cheio de bons actores secundários, este Skyfall, grande casting):
A Dench, magnífica. Como se tivesse havido um zoom sobre a personagem, sobre o rosto da actriz… sempre a M, que não hesita em cumprir o dever, pondo emoções de lado. Se é para matar o seu préféré, pois ele que morra…
E a nova Miss Moneypenny, que atravessa o filme como a dura Eve, mostrando que afinal há mais vida para além da secretária…
O Q, novíssimo Nerd e Mallory, o novo big boss.

Mas, sobretudo, o que me deliciou neste 007 foi, de novo, a desconstrução do mito.
Todos são postos em causa, principalmente o Bond e a M, porque estão velhos. Porque falam uma linguagem que não acompanha a evolução do mundo, das novas tecnologias e ameaças. E, no caso de Bond, porque o lado físico sofre com a passagem dos anos e os maus tratos da profissão.

O seu sucesso e capacidade é constantemente questionado, pelo novo director (que não é perito em acções no terreno, mas afinal supera as expectativas) , pelo novo Q (um puto) e até pelo governo britânico.

E o corpo ressente-se, a pontaria falha, mas o espírito e a lealdade prevalecem.
Assim Bond sai vitorioso, não sem sacrificar os seus últimos redutos de afectividade.

“I like doing it the old way” ou “old ways are the best” são frases que pululam por todo o filme.
E eis que, no final, isolados num local onde as novas tecnologias não têm expressão, o vilão é obrigado a enfrentar os heróis à moda antiga.

Também as motivações, dos bons, dos maus, de todos, vêm de trás, do passado. Os traumas, as recordações.
E a ressurreição é, não só o “passatempo” que Bond afirma ter (ele que “morre” no início do filme) mas a força motriz de todos.
Os que se perderam e se querem encontrar (como o próprio Bond), os que procuram vingança, os que têm que recuperar as glórias para afirmar a sua pujança (como M). E todos actuam nas sombras, eles próprios o afirmam.

Nem faltam referências aos clássicos, intra e extra Bond, como o velho Aston Martin, ou a aproximação por helicóptero com música!!

Para completar o quadro perfeito, diga-se que, apesar deste old way, há menos mulheres reféns, menos mulheres objecto, e mais mulheres activas, determinantes na acção. M é o alvo das investidas do vilão, o centro nevrálgico da acção, das motivações. Até do amor de Bond.
E a nova Moneypenny * * SPOILER * *(só se revela assim no final), acompanha Bond em grande parte da acção, redimindo-se do facto de quase lhe ter tirado a vida (sob ordens, é certo), ajudando-o mais tarde.

Enfim, emocionante e tocante, eu diria.
Quem procura um Bond the old fashioned way leva muito mais.


 
“Bring out the old, bring in the new”, era como começava o tema “Perfect Year”, no “Sunset Boulevard” de Andrew Lloyd Webber, aqui magistralmente executado por Petula Clark, que tive o privilégio de ver em Londres. Lembrei-me disto algumas vezes (a velha actriz, glória do cinema mudo, a ser deposta pelas jovens vedetas).
Cheers!
 

 

Bom fim-de-semana!
 

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