Hitchens e a miúda do Texas (que queria ler e pensar por si).

 

Desculpem lá vir aqui com vídeos outra vez, mas aqui o mais importante até é terem paciência para ler o que vos vou indicar. O vídeo é meramente ilustrativo, porque muito incompleto.

Hoje deparei-me com mais um vídeo que me despertou o interesse, até porque me parecia abordar um tema que também temos vindo a tratar, que é o de sugestões de leitura (filmes e séries também interessam – o que é isso do Bechdel Test, aqui) para miúdas, com modelos femininos de referência que vão mais além do que as princesas que aguardam o príncipe encantado ou as namoradas dos heróis. Aliás, tínhamos até aproveitado uma lista (o Guia para Princesas Independentes), já feita, em inglês, que divulgámos no FB.

Pois parece que o Christopher Hitchens, numa das suas últimas apresentações ao vivo (e vivo), terá dado a uma miúda de oito anos – que assim o pediu – uma lista de leitura para colaborar no seu objectivo de se tornar uma “pensadora livre”.

A lista divulgo-a já, mas o mais interessante é toda a história relatada, também pela mãe da miúda, aqui.

Os livros recomendados foram, mais coisa, menos coisa, estes (recolhi de outra fonte, transcrevo directamente, traduzido):

“The Greek Myths”, de Robert Graves.
“The Magic of Reality”, livro ilustrado de Ciências de Richard Dawkins.
Qualquer obra satírica de Shakespeare e Chaucer. Sugere-se que se procurem edições gratuitas em eBooks.
“Nomad: From Islam to America: A Personal Journey Through the Clash of Civilizations”, de Ayaan Hirsi Ali (“para explicar como pode ser, para algumas meninas, crescer neste mundo”)
“A Tale of Two Cities”, em particular, de Charles Dickens, e qualquer obra do autor,  já que Dickens “ensina crianças a gostar de ler”.
Qualquer coisa de  P.G. Wodehouse; sugere-se “Sunset at Blandings“.
E, no que toca a Filosofia, um pouco de David Hume.

Mas, como vos dizia, parece-me interessante o resto.

O relato da mãe é curioso e, em conjunto com o nome do blog onde o encontrei, leva-me a crer que ser ateu ou agnóstico no Texas deve ser particularmente difícil (bem, ou nos EUA, em geral): “Why Evolution is True”.

Deixo-vos ainda a carta que a miúda enviou ao Hitchens, de agradecimento.
Claro que tudo será muito dirigido pelos pais, mas, caramba, ainda bem. Antes assim que coisa pior. :)

“Dear Mr. Hitchens,

Thank you for your kindness to me and all of the wonderful books you recommended to help me think for myself. Thank you also for taking my question very seriously. When I was talking to you I felt important because you treated me like a grown up.  I feel very fortunate to have met you.  I think more children should read books.   I also think that all adults should be honest to children like you to me.  For the rest of my life I will remember and cherish our meeting and will try to continue to ask questions.

Sincerely,
Mason

P.S. I would like to start with “The Myths” by Robert Graves.”

Não deixem de ler a descrição do encontro e algumas considerações sobre a educação de Mason, no Texas (logo abaixo da fotografia da miúda e da carta que vos transcrevi).

Deixo-vos aqui os preliminares:

“Mommy, I want to ask a question.”

I looked up from my cheesecake, “Yes?”

“No, I want to ask a question on the microphone.  Can I?”

“I suppose.” Sip of coffee.“Is it a good question?”

“Yes, I think so.”

“Is it respectful?”

“Yes.”

“Fine.”

“Well, how do I do it?”

I’m back to the cheesecake, “You’ll need to find the man with the microphone.”

And then, in one of my more embarrassing parenting moments, my eight-year-old daughter trotted off into the darkened ballroom of approximately one thousand hardcore atheists in pursuit of an answer.  Meanwhile, I was smugly back to dessert, confident that there was no way in hell that she could work her way to “the man with the microphone.”  Now I could listen to the question and answers in peace.  Until a little voice said,

“What books should I read?”

Now, anyone who thinks that a loving mother from Texas would plant her child to ask a question at an atheist convention would either have to be half-crazy or have never been to Texas.

(…)

That is why Christopher Hitchens, asked, “Where’s your mother?’ 

:)

__

Para terminar, esperando que tenham lido, deixo-vos esta divertida ode a raparigas que lêem; divirtam-se e bom fim-de-semana:

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