Antropólogos, sociólogos e historiadores de todo o mundo, uni-vos.

Hoje de manhã deparei-me com um novo vídeo da Willow Smith, filha do Will Smith (actor), de que gostei a vários níveis, sendo que aquele que mais me surpreendeu, não obstante já ter lido umas coisas sobre a miúda e algumas particularidades suas, foi a independência, ou, se quisermos, a liberdade (aparente), relativamente às estéticas dominantes, principalmente no mundo da música pop, e na cultura mainstream e mediática omnipresente, no que toca a modas, aspectos físicos, elementos em destaque; roupas, maquilhagens, cabelos, alterações do corpo e do rosto, ou pelo menos a sua manipulação por forma a realçar os chamados “atributos femininos”, ao que parece indispensáveis à expressão musical, e a sua mais forte aliada nas últimas décadas: a dita “expressão da sexualidade”, ou sensualidade.

Reclama-se fortemente o direito à “expressão da sexualidade”, ou sensualidade, como aliado do “feminismo liberal“. O direito à escolha titula a cada vez maior exposição do corpo, desde que ele corresponda aos estereótipos dominantes, construídos durante as últimas décadas com o afinco e dedicação dos mass media, entrando também ele na engrenagem e fazendo parte do todo (já não se consegue determinar onde está a causa e o efeito).

Ora este direito à “expressão da sexualidade”, o prazer e a sua representação, ou o que a ele leva, não distam assim tanto daquilo que, supostamente, se pretendia fugir ou contradizer.

Esta expressão da sexualidade traduz-se geralmente na expressão da capacidade de sedução aos olhos da generalidade masculina, contaminado até as propostas de fazer algo diferente, por oposição, como a “pornografia feminina“, em que, apesar de algumas alterações na expressão do prazer, ou das formas que levam até ele, ou mesmo do objecto e destinatário do prazer, existe
ainda uma estética dominante, resultante desta cultura de séculos (com particular incidência no último século).

Por não saber se será possível escapar a esta influência predominante e presente, a que estamos expostos desde que nascemos, gostaria de saber o que aconteceria se não o tivéssemos sido e, por conseguinte, porque fomos?
Deduzo, mas posso estar errada, que para a última questão existam uma série de respostas prontas a apresentar, que vão dos campos da biologia evolutiva à sociologia (e que possam entrar em conflito, numa acepção do que é inato e adquirido). Aqui a minha curiosidade é menor, por ter sido já em diversas vezes confrontada com teorias, mas diga-se que, em resumo, não fiquei esclarecida, e penso que não se consegue dissociar inteiramente uma pergunta das outras, já que, para entrar nas respostas às outras duas, entramos no campo especulativo e com poucas referências a culturas e sociedades existentes.

Em resumo, o que eu gostava de aprofundar é o seguinte, e é aos antropólogos, sociólogos, historiadores e biólogos** que dirijo a pergunta:

  • 1.1) – Como seria “expressar a sua sexualidade”, esse direito tão reivindicado pelas feministas liberais* (e com nuances significativas no chamado feminismo negro, por oposição àquilo que se chama de feminismo branco, e que tem gerado grandes polémicas***), se não tivéssemos sido expostos/as aos media do último século e meio, ao “male gaze****” e tudo o que daí derivou? (Ver 1.2)
  • 1.2) – Como seria “expressar a sua sexualidade” se não tivéssemos, antes e para além disso, sido expostos/as a uma sociedade patriarcal e machista? (Ver 1.3)
  • 1.3) – Porque evoluímos, salvo raríssimas excepções, para uma sociedade patriarcal e machista?

*geralmente traduzido em expressão da sua capacidade de sedução aos
olhos da generalidade masculina, contaminado até as propostas de fazer
algo diferente, por oposição, como a “pornografia feminina“, em que,
apesar de algumas alterações na expressão do prazer, ou das formas que
levam até ele, ou mesmo do objecto e destinatário do prazer, existe
ainda uma estética dominante, resultante desta cultura de séculos (com
particular incidência no último século). – Por não saber se será
possível escapar a esta influência predominante e presente, a que
estamos expostos desde que nascemos, gostaria de saber o que
aconteceria se não o tivéssemos sido e, por conseguinte, porque fomos?

** por causa da última pergunta e de possíveis justificações na área da biologia/evolução.

*** aqui, aqui, aqui

**** e aqui (“male gaze”)

Mais alguns links, só para dar um exemplo:

“Capital Erótico”;

“Intersectionality”;

Black Feminism;

Expressão da sexualidade vs orientação para o male gaze;

Beyoncé, black feminism e a expressão da sexualidade (e aqui);

polémica sobre o discurso de Patrícia Arquette nos Oscars.

Nota: atenção, que não pretendo aqui entrar em discussões sobre os temas já de si polémicos que dão origem às questões, ou ilustram estes links: pretendo, sim que se alcancem respostas às perguntas colocadas em 1.1, 1.2 e 1.3.

E ainda: O repto lançado, não é exclusivamente sobre sexualidade heterossexual (malgré os exemplos dados); as influências que refiro actuam sobre todos.

Obrigada.

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